Que Auschwitz não se repita na Palestina

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O complexo de campos de concentração de Auschwitz-Birkenau, localizados nas cidades polonesas de Auschwitz (Oświęcim) e Birkenau (Brzezinka), símbolo de um episódio dramático da história de judeus e alemães, é um marco essencial da história mundial.

O nazismo se apropriou da tecnologia industrial de ponta e dos mais modernos meios de comunicação de massa de sua época, o rádio e o cinema, alcançando uma estetização da política de penetração social nunca antes vistas. O resultado foi uma das maiores catástrofes da história da humanidade, a Shoah – mais conhecida pela expressão “Holocausto”, que não se deve utilizar devido à sua conotação de sacrifício religioso.

Hoje, 69 anos após a libertação de Auschwitz, o Estado de Israel demonstra ter aprendido direitinho com os nazistas como promover um genocídio. A ofensiva militar israelense contra palestinos refugiados em Gaza, que soma quase duas semanas de bombardeio aéreo, já matou dezenas de inocentes, inclusive crianças.

Não satisfeitos, os “neonazistas hebreus” parecem ter adotado como solução final a aniquilação de todos os palestinos. Se em 2012 o vice-primeiro-ministro de Israel, Eli Yishai, desejou “mandar Gaza de volta para a Idade Média” para que Israel “tenha tranquilidade por 40 anos”, atualmente a parlamentar israelense Ayelet Shaked defende que “todo o povo palestino é inimigo” e justifica a sua destruição, incluindo “seus velhos e suas mulheres, suas cidades e vilas, suas propriedades e infra-estrutura”.

Shaked também afirma que as “mães de todos os palestinos devem morrer”, para que nunca mais nasçam “pequenas cobras”. Tal discurso de ódio revela-se uma irracionalidade opressora e destrutiva, transformando em injúria a memória dos mortos da Shoah.

“Que Auschwitz não se repita”, postulou o filósofo Theodor Adorno, apavorado com o fato de que a barbárie continuará existindo enquanto persistirem no que têm de fundamental as condições que geram o retrocesso. Contra o esforço conservador de desprezar a memória das vítimas do autoritarismo, Adorno alertava para a necessidade de elaborar o passado e criticar o presente prejudicado, eliminando no presente as causas da barbárie.

O filósofo de Frankfurt ressalta a urgência de um pensamento impiedosamente crítico, que não aceite a máquina de guerra, tampouco a máquina de esquecimento (esquecimento, sobretudo, do passado nazista). A meta deve ser a formação de indivíduos autônomos, autocríticos e com vínculos sociais, eliminando, no que têm de fundamental, as condições que geram a violência.

* Publicado originalmente em Ano Zero.

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