A TV aberta está sangrando e pode em pouco tempo deixar de existir. Com 1 milhão de assinantes ela já fatura mais que a segunda maior emissora do Brasil.

Embora não divulgue dados financeiros ou de assinantes, exceto nos EUA, o Netflix faturou algo em torno de R$ 1,1 bilhão no Brasil no ano passado.

Fontes do mercado ouvidas por esta coluna afirmam que, com seus estimados 4 milhões de assinantes no país, o canal de streaming faturou cerca de R$ 250 milhões a mais do que a previsão mais otimista de faturamento do SBT no ano passado (R$ 850 milhões).

O Netflix faturou quase o triplo do previsto pelo mercado para a Band no ano passado (algo em torno de R$ 450 milhões)

Sem crise

O que é mais interessante é que, enquanto as emissoras abertas faturaram menos, e a TV paga só perdeu assinantes em 2015, o Netflix só fez crescer.

Por enquanto nenhuma crise parece afetar o serviço, que está atraindo cada vez mais clientes, muitos aparentemente descontentes com as eternas reprises e intervalos cansativos e “semi” comerciais de alguns canais pagos.

Canais como Sony, Discovery, A&E e Animal Planet, entre outros, chegam a interromper seus programas a cada sete minutos para exibir três minutos de chamadas de outros programas da grade.

O Netflix é um serviço de streaming que transmite filmes e atrações via internet –e sem comerciais. Hoje o serviço cobra mensalidades entre R$ 19,90 e R$ 29,90. Em julho esse preço deverá sofrer reajuste.

A estimativa é de que o serviço tenha cerca de 1 milhão de filmes e episódios de séries no acervo total. No Brasil, porém, não há informações exatas do total de filmes à disposição dos assinantes.

Duas visões de mercado

Na semana passada a Netflix anunciou que está expandindo seus serviços para mais de 190 países no mundo. Depois dessa informação, as ações da companhia nos EUA valorizaram em torno de 8%.

Ainda há certa reticência por parte de alguns analistas do mercado acionário que acham que o modelo de negócios do Netflix não é tão rentável. Isso porque o serviço paga centenas de milhões de dólares anualmente em direitos autorais aos grandes estúdios.

Já do outro lado há analistas que afirmam o contrário: que é justamente essa seriedade e comprometimento em pagar bem por direitos autorais que faz do serviço uma empresa sólida e confiável.

RICARDO FELTRIN

Ricardo Feltrin, 51, é colunista do UOL, onde apresenta o programa Ooops! às segundas. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros

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