A morte de Eduardo Campos e o futuro (possível) das eleições

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Como a súbita morte de Eduardo Campos muda o cenário eleitoral para os próximos dias?
Eduardo Campos : 1965-2014

Após a trágica morte de Eduardo Campos, é bem provável que o PSB decida por uma chapa com Marina como candidata a presidente e um representante do empresariado urbano como vice.

Ela e o partido estão em evidência devido à exposição midiática da tragédia. A principal fraqueza da candidatura deles, o desconhecimento dos eleitores de fora da região nordeste, acaba de ser sanada – embora de uma forma mórbida. Além disso, ela é a sucessora natural de Campos. Nem ela e nem o PSB seriam simplórios a ponto de abandonarem a candidatura agora. Antes dos candidatos oficiais serem anunciados, o eleitorado já demonstrava maior tendência a votar em Marina do que em Aécio, e ela era citada como opositora de Dilma em um possível segundo turno.

Aécio, por sinal, cometeu erros gravíssimos em sua campanha. Tão graves que somente um iniciante na política cometeria, o que não condiz com seu histórico.

O primeiro, e mais danoso, foi o de atrelar sua candidatura à imagem de “candidato anti-PT”, sem fornecer ao eleitorado propostas e planos reais para o país. Quando tudo o que se tem a oferecer são críticas a quem está atualmente no governo, as intenções de voto permanecem estagnadas – como tem ocorrido, sem nenhuma surpresa para qualquer um que entenda minimamente de política.

O segundo foi o de focar parte de seu discurso em combate à corrupção e aumento da eficiência de gestão, tendo um histórico questionável em seu estado de origem e pontos obscuros em sua vida pública. Já começam a pipocar denúncias e escândalos a respeito de desvios de verbas da saúde e de dois aeroportos construídos de forma suspeita em MG, poucos meses depois do helicóptero de um aliado do senador ter sido encontrado no ES com uma carga de cocaína. Um depósito da prefeitura do município de Cláudio-MG, cidade em que foi construído um dos aeroportos mal-explicados, pegou fogo no dia 12/08 – segundo adversários do presidenciável, convenientemente destruindo documentos, arquivos e computadores. Mesmo que não haja envolvimento de Aécio Neves em nada disso, os eleitores já começam a suspeitar de sua credibilidade e intenções, e sua candidatura tende a se esfacelar.

O terceiro erro foi o de entrar em campanha com excesso de confiança, como se já tivesse vencido as eleições. Uma eleição nunca está ganha até que todos os votos sejam apurados e todos os recursos julgados. Isso o faz parecer arrogante, afastando ainda mais os eleitores.

Dilma, por outro lado, enfrenta uma enorme taxa de rejeição e também permanece estagnada, embora em primeiro lugar. Aparentemente o PT conta com o início das campanhas televisivas, nas quais terá tempo muito maior do que as demais coligações, para tentar fazer com que as intenções de voto na presidente parem de cair gradualmente. Aposta alta e arriscada.

Marina conta com parcela expressiva dos votos em dois setores nos quais Dilma tem enorme rejeição: os jovens e os evangélicos. Aécio Neves simplesmente não conseguiu captar os votos desses grupos, especialmente dos jovens – pelos quais ele é visto como “mais do mesmo”. No entanto, Marina ainda precisa trazer para o seu lado um terceiro grupo no qual Dilma também tem grande rejeição e que está, até o momento, apoiando Aécio: os cidadãos mais abastados. Uma aliança com os ruralistas seria improvável, devido à sua imagem pública – muito questionada – de defensora das causas ambientais. Sobra ao PSB, se quiser ter alguma chance, escolher para ela um vice que represente o empresariado urbano e os cidadãos das classes A e B.

Então… quem será o vice de Marina?

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