Marcelo Mansfield foi otário por não ter seguido com Gentili pro SBT ?

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Humorista do Agora é Tarde por opção não migrou com a antiga trupe para o SBT por fidelidade ao contrato, e ainda assim foi surpreendido com a demissão.

Agora é Tarde sob o comando de Danilo Gentili


No fim de 2013 quando o primeiro elenco do Agora é Tarde assinava contrato com o SBT o coapresentador do programa, Marcelo Mansfield, surpreendeu a todos ex-colegas ao optar por honrar o contrato e permanecer na Band, mesmo a proposta do SBT sendo extremamente tentadora financeiramente.

Na ocasião ele chegou a afirmar que “nunca na minha carreira, quebrei nenhum contrato. A oferta do SBT era tentadora, a ponto de me balançar sim — até o último momento. Porém, meu contrato com a Band tem vigência até dezembro de 2014 e isso falou mais alto. Foi isso. Apenas a questão contratual. Minha amizade com o Danilo continua a mesma, afinal, temos uma parceria no palco, e na TV, de mais de oito anos“.

O recente anúncio e quase imediata retirada do talk-show do ar instigou a imaginação de colunistas como Lauro Jardim, da Revista Veja, que publicou que o humorista teria ficado irritado com a atitude da direção artística da Band. Imediatamente Mansfield repudiou tal afirmação frisando que Tenho muito tempo de carreira e conheço muito bem o negócio pra me assustar com as mudanças repentinas. Continuo contratado e atuante na Band, através do Clube dos Cinco na BandNewsFm e pré-produzindo meu programa para o canal Arte 1”.

Atualmente existiriam dois caminhos mais óbvios para o reaproveitamento artístico de Marcelo Mansfield na Band: o Pânico na Band e o CQC. No entanto, a primeira opção mostra-se bem avessa ao gênero de humor de Mansfield, que é mais refinado que o perfil da jovem audiência da turma de Emilio Surita. No CQC existem coberturas de eventos artísticos que pedem alguém com repertório cultural mais vasto que os atuais repórteres. Ali há um estratégico lugar para a recolocação.

Além dos espaços óbvios existem também os surpreendentes. Recentemente Mansfield fez uma brilhante participação no programa Canal Livre. Ao lado de Ricardo Boechat e Fernando Mitre entrevistou Stepan Nercessian sobre o musical Velho Guerreiro. A erudição de Mansfield seria um ótimo tempero para os jornalísticos da Band, especialmente em A Liga e no Jornal com Café.

No entanto a situação dele na TV aberta ainda é indefinida. Teve seu contrato rompido junto com toda a produção do Agora é Tarde. O público questiona: Mansfield foi otário em não ter seguido com Gentili? A resposta é não. Não foi. Ele agregou a sua carreira uma marca extremamente incomum: o comprometimento.

Em tempos de valores tão fugazes quem se coloca na contramão se torna raro. E por isso, cobiçado. A soma de talento e comprometimento é buscada por gestores que formam equipes de forma estratégica e focados em resultados. Infelizmente no Brasil quem prima pela honra é reduzido a classificação de otário.

Um gestor experiente e inteligente jamais investiria na contratação e formação de um profissional que de antemão soubesse que os valores do mesmo não fossem alicerçados em um planejamento de carreira. Como investir em alguém que pode ser seduzido a qualquer momento por uma proposta financeira que aparentar melhor ganho no curto prazo?

Uma carreira não se faz com opções aparentemente óbvias. Uma marca profissional não se constrói exclusivamente de vitórias. A forma como lidamos com a adversidade diz mais sobre nossa competência do que a maneira que comemoramos as vitórias. Neste sentido a demissão de Mansfield será um capítulo bem menor em sua biografia que a honra de ter sido fiel a um planejamento expresso num contrato.

Por volta de 1530, o termo “Carreira” identificava um caminho, ou o curso do sol através dos céus. Neste curso o Sol é, em alguns momentos, totalmente ou parcialmente coberto por nuvens, mas nunca deixa de ser Sol. Ao contrário de meteoros que riscam o céu com brilho encantador despertando a atenção de muita gente por muito pouco tempo.

E você? Quer ser Sol ou Meteoro?

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