Diário de um Imigrante (i)Legal – Irlanda – Cap: 01- A Viagem

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Dizem que as melhores noitadas são aquelas em que você não tinha intenção de sair de casa, mas acaba saindo. Você está em casa de pijama, vendo TV, quando de repente uns amigos aparecem e praticamente te obrigam a se arrumar e literalmente te carregam.

Eu meio que estive numa dessas noitadas por um tempo…

No final de 2010 o universo literalmente conspirou para que eu fosse para esse lugar chamado Irlanda. A vontade de fazer um intercâmbio era antiga, mas nunca as condições ajudaram tanto como nessa época.

A ordem dos fatores não altera o produto. Eu tinha acabado de me formar em Publicidade, não estava trabalhando na área, soube que um amigo tinha planos de vir para Dublin, descobri que os valores não seriam tão caros como imaginei e pintou uma grana. Pronto, era tirar o passaporte, fazer as malas e pegar o avião.

Por quê Irlanda? Ora, isso é óbvio: cerveja e pubs. Brincadeira… (ou não). Os motivos eram os tradicionais: a Irlanda fica na Europa (possibilitando assim conhecer vários outros países), tem inglês como língua e era bem mais fácil e barato entrar do que na Inglaterra. Mas já aviso, cerveja será um tema extremamente constante nesse blog.

Aí vem uma das melhores partes do intercâmbio: as despedidas. Despede de uma avó, despede da outra. Despede de um bar, despede do outro. Despede de um amigo, despede de uma amiga, de outra amiga, aí você despede de outra amiga e logo após, outra amiga. Cara, não sabia que a frase “estou indo embora e possivelmente nunca mais verei você na minha vida” tinha tanto poder… Além de que eu precisava deixar meu fígado mais do que treinado para os irish pubs.

As semanas se arrastam até que chega o grande dia. Sinceramente, está para existir um lugar mais triste do que os aeroportos. Sou um cara frio, mas é difícil ver familiares e amigos chorando e não sentir nada. Seja tristeza, angústia ou ansiedade. Fui obrigado a comprar uma cerveja.

A viagem durou uma eternidade. Mesmo que o avião tenha TV com milhões de filmes e séries pra ver eu não consegui relaxar. Sou uma pessoa naturalmente ansiosa e pensar que eu estava finalmente chegando em Dublin piorava isso.

O avião desce na Irlanda e chega o momento que eu mais temia: passar pela imigração. Além de ansioso sou azarado e me apavorava a possibilidade do guardinha simplesmente não ir com a minha cara e me mandar de volta pro Brasil. Decorei respostas de possíveis perguntas que eles poderiam fazer e esperei (tremendo) a minha vez. Quando chegou a hora foi tudo tranquilo, fiquei lá apenas alguns minutos e entrei de fato no país. Não entendi nada que o cara falou, mas entrei.

Nisso encontro dois amigos que tinham vindo pra Irlanda um pouco antes e foram me buscar no aeroporto.

– E aí rapaz, bem-vindo. Como foi de viagem?

– Tudo tranquilo, não fui barrado. Pô, tá frio hein…

– Pois é.

– Pô que merda atravessar a rua com essa mão trocada.

– Pois é.

– Onde a gente vai beber hoje?

Entrar foi fácil, mas sair…

E a saga irlandesa começa.

Cheers.

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