Diário de um Imigrante em Dublin – Cap: 03 – A Primeira Noitada

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Igrejas, cervejas e dificuldade de chegar ao banheiro. Eis um dia comum em Dublin.

Ireland_Dublin_Night

Abro o olho. Olho ao redor tentando me acostumar com a escuridão quando percebo o motivo de eu ter acordado: eu precisava ir ao banheiro. Eu não queria, o edredom me abraçava confortavelmente e eu percebi que seria um pouco complicado sair da cama e enfrentar o frio. Mas não tinha jeito, levantei, andei bocejando pelo quarto e entrei. Procurava desesperadamente o interruptor naquele lugar gelado quando me lembrei “caceta, estou na Irlanda, aqui o interruptor fica do lado de fora”. Nunca entendi por que é desse jeito.

St-Patricks-Cathedral-in-Dublin

Depois da primeira noite de sono em solo irlandês, eu, Léo e Raoni (meus amigos que já estavam na Irlanda e me buscaram no aeroporto) decidimos ir ao supermercado. O dia estava lindo, com o céu completamente azul, o que incentivou uma volta pela cidade. Mal andamos e já constatamos uma coisa: os dias ensolarados são os mais frios. Achei curioso isso, mas definitivamente sentir o Sol deixava meu humor melhor, mesmo que a temperatura caia mais ainda.

 Pelo caminho reparei a enorme quantidade de belas e suntuosas igrejas que existem em Dublin. Foi no mínimo irônico, eu como ateu, achar justamente as igrejas como as obras mais impressionantes da cidade.

Mal cheguei ao supermercado, percebi como é importante o papel da publicidade e das marcas no mundo. É legal você estar em outra parte do planeta e não ter dificuldade de escolher certos produtos simplesmente porque você já conhece e gosta da marca. Uma curiosidade dos mercados irlandeses é o fato deles colocarem em alguns produtos quanto aquilo custa em algum concorrente. Aí vai do cliente de acreditar ou não.

Voltamos para casa e passamos o dia à toa esperando a noite para sair. É claro que compramos algumas cervejas para fazer o tradicional “aquece” e dessa forma economizar um pouco. Como é bom ter um grande leque de boas cerveja vendendo, ficando até difícil escolher uma. Carlsberg, Budweiser, Heineken, Paulaner, Amstel… Decidimos levar uma caixa de Stella Artois (20 long necks por 15 euros).

Bleeding Horse
Bleeding Horse

Depois de estarmos suficiente alegres, saímos e paramos num pub chamado Bleeding Horse. Mal entramos e pedimos nossas pints quando reparei algo que faria meu amor pela Irlanda aumentar mais: não estava tocando axé, nem sertanejo, nem pagode, nem qualquer porcaria dessas. Como é fantástico tomar uma cerveja escutando o bom e velho rock.

Eu ainda aprenderia e descobriria muitas coisas sobre os pubs da Irlanda, mas ao fim dessa noitada reparei uma coisa que talvez seja algo que devemos imitar os irlandeses. Eles não tem a mínima vergonha de estarem e fazerem coisas de bêbados. Sejam homens ou mulheres (me impressionou mais), eles não ligam de cantar alto na rua, riem se caem e curtem verdadeiramente e intensamente a embriagues.

Voltando pra casa (em um estado, digamos… irlandês) olho um mendigo* (sim, lá tem mendigos) e penso: “primeiro mundo realmente é outra coisa, aqui crianças e mendigos falam inglês.”

Cheers

 * Depois de dois anos de Irlanda cheguei à conclusão que as pessoas viram mendigos em Dublin porque querem. O governo irlandês dá vários benefícios em dinheiro à população (para muitos, um dos motivos do país ter entrado em crise alguns anos atrás) e se for o caso da pessoa não ser irlandesa, é preguiça mesmo, porque emprego tem sim.

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