Dado Dolabella, que já foi acusado três vezes de agredir ex-namoradas, decidiu partir para cima do ator e poeta Gregório Duvivier; e se deu mal.

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Intolerância: o “ator” Dado Dolabella, que já foi acusado três vezes de agredir ex-namoradas, decidiu partir para cima do ator e poeta Gregório Duvivier; o motivo é o fato de Duvivier, integrante do Porta dos Fundos, declarar apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff; “Na boa, alguém que fala ‘estou com Dilma’, para mim, soa tipo: ‘estou com ebola’. Digno de pena e reclusão da sociedade. Um marginal”, escreveu Dolabella em sua página no Facebook.

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O “podia dormir sem esta” que Dado se refere diz respeito a agressão verbal sofrida por Gregório Duvivier em um restaurante após ter manifestado publicamente seu apoio a reeleição de Dilma Rousseff.

Ancelmo Goes relatou o corrido em sua coluna:

Gregório Duvivier almoçava ontem no Celeiro, no Leblon, quando um sujeiro disse que não ficaria mais ali porque ia “acabar metendo a porrada” nele. O talentoso ator e escritor ficou calado. 

Mas o agressor continuou o xingamento, dizendo que ele era da “esquerda caviar” e que deveria estar almoçando no bandejão, “já que gosta tanto de pobre”. Meu Deus!

Trecho extraído da coluna de Ancelmo Goes no jornal O Globo de 15/10/2014

Duvivier, integrante do grupo humorístico Porta dos Fundos, compartilhou o texto em sua página na rede social com bom humor. “Estou sendo alvo de zuêra”, escreveu. Dolabella tem na foto do perfil uma tarja com “Aécio 45” e divulga em sua página uma série de posts em prol do tucano. Ontem à tarde, ele escreveu um texto no qual defende que política “se discute sim, com respeito, para expor os lados”.

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Dado Dolabella já foi acusado três vezes por violência doméstica contra suas ex-namoradas Luana Piovani, Eliza Joenck e Viviane Sarahyba. Ele também já foi indiciado por uso de drogas ilícitas. Gregorio Duvivier tem sido alvo de agressões desde que escreveu o artigo na Folha, na segunda-feira 13.

Este é o texto da Folha que Gregório apresenta suas razões para votar em Dilma.

‘Nos postes da cidade, os adesivos se multiplicam. “Aqui se vota Aécio”. Você, que não vota como o poste: ame o Rio –ou deixe-o. Aqui não é sua área. Aqui se brinda pelo fim da maioridade penal. Aqui a gente cansou da corja do PT e quer gente nova –mas logo quem? O mensalão tucano, a compra da reeleição, o aeroporto, o helicóptero, tudo virou pó’, ironiza.

Diz ainda que votaria nulo, “mas a militância de jipe e os comentaristas de portal não me dão essa opção. Se quem defende causas humanitárias e direitos civis é tachado de petista, não me resta outra opção senão aceitar essa pecha”

Trecho do texto Terra Estrangeira, publicado na Folha SP em 13/10/2014

A resposta de Gregório Duvivier a Dolabella foi esta:

Fui uma criança tucana. Colava adesivos do Fernando Henrique na janela do meu quarto e na traseira do chevette —era tucano “before it was cool”.

Imaginem minha euforia quando soube que o FHC, o próprio, viria lá em casa, numa festa cheia de bolinhas de queijo. Sim, o jantar de adesão da classe artística ao FHC foi lá em casa (Chupa Dado Dolabella !!!)

Na prática, o PT só piorou minha vida burguesa: o aumento do IOF para compras no exterior e a maldita tomada de três pinos me dão saudades enormes dos anos 90. Aécio seria um candidato infinitamente melhor para mim, homem-branco-heterossexual-carioca-que-viaja-para-fora-do-Brasil-uma-vez-por-ano-e-faz-a-festa-na-H-&-M. Mas democracia não é —ou não deveria ser— isso que virou, esse exercício do voto narcísico, em que pastor vota em pastor, policial vota em policial e carioca vota em bandido.

Talvez por isso a democracia representativa seja um desastre. Ninguém deveria representar os outros porque ninguém está, de fato, pensando nos outros.

Trecho do texto Chupa Dado publicado na FOLHA SP em 20/10/2014

Vejam o nível da intolerância que chegamos. O que Dado externou é um sentimento e comportamento bem comum nos eleitores em 2014. Especialmente no segundo turno. Provavelmente nem foi capaz de compreender a densidade da resposta. Mesmo assim fica pra ele o convite a romper com a inércia de seus neurônios.

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