Ajudar animais nos torna mais humanos

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Quem ajuda os animais tem certeza absoluta que não receberá nada em troca além da satisfação de ver um ser reencontrar com sua própria vida. 

Há três anos me dedico a causa animal. E como todos os outros defensores de animais recebo toda a avalanche de críticas sobre a opção pelos animais que moram nas ruas. Frequentemente somos questionados sobre o porquê de nos dedicarmos aos animais se existem tantas pessoas passando dificuldades nas ruas.

A resposta é simples: Para as pessoas existem as políticas públicas. E para os animais? Quais  políticas públicas estão disponíveis?

Hoje a única vacinação pública disponível para os caninos é a antirrábica e a mesma só é disponibilizada porque esta zoonose pode afetar os humanos, se fosse um problema apenas para os animais seria ignorada como todas as outras zoonoses.

Nas ruas da Grande Vitória milhares de animais vagam agonizando contaminados por doenças que poderiam ser evitadas por uma vacina barata e eficiente que só quem frequenta clinica veterinária pode se proteger. Infelizmente os animais por não possuírem título de eleitor não possuem também visibilidade para terem transformadas suas demandas em realidade.

O que torna ainda mais sofrida a realidade dos cães que são abandonados é que quando eles adquirem uma doença ao invés de serem recebidos com solidariedade eles são enxotados a pedradas por quem tem nojo da doença sem sequer ter nojo da atitude de repulsa que eleva a máxima potência as dores destes seres vagantes.

Nas redes sociais vemos inúmeras pessoas buscando aliviar a dor da omissão por meio do compartilhamento de postagens que dão visibilidade a causa animal. Mas nem só de compartilhamentos e curtidas se faz a guerra contra a indiferença. Ouso dizer que estas ações são praticamente inecifientes na transformação da realidade.

É preciso bem mais que repostagens nas redes sociais. Um cão com cinomose precisa mais de remédios, atenção e carinho que ‘curtidas’ no facebook. No entanto, infelizmente boa parte das pessoas que dizem abraçar a causa animal restringe sua militância às redes sociais e sequer colocam um pote de água para os animais que vivem nas ruas.

Não digo que é necessário adotar um cão abandonado para se identificar de fato com a causa. Entendo que muitas pessoas moram em apartamentos e casas tão restritas que sequer atendem as suas necessidades individuais. Mas quem não pode adotar pode ajudar quem adota. Abrigos e protetores de animais estão cada dia mais endividados e precisando de ajuda também.

Quem não pode ajudar financeiramente pode ajudar dando banho nos cachorros que vivem em abrigos, ou até mesmo doando remédios para os cães em tratamento. O que não podemos é fingir que amamos animais se de fato não tomamos nenhuma atitude que de fato tenha ajudado a resgatar uma vida sequer.

Aproveito o espaço para também alertar que animais de estimação não são presentes nem brinquedos. Pais, namorados e amigos não deem de presente um animal. Um cachorro precisa de atenção por pelo menos 14 anos. Por isso quem deve escolher é quem vai cuidar e não quem quer dar um presente fofinho.

Quem ajuda os animais se torna mais humano. Ajudar humanos em dificuldades quase sempre passa pelo viés da lei do retorno. Ao se ajudar já se anota no caderninho das cobranças futuras o nome do ajudado para a retribuição do gesto ou pelo simples prazer de se estar em condição de ajudante e não de ajudado.

Quem ajuda os animais tem certeza absoluta que não receberá nada em troca além da satisfação de ver um ser reencontrar com sua própria vida. Quem sabe ler um sorriso animal sabe que este retorno não tem preço e nem visibilidade aos olhos insensíveis.

Fabio Flores é professor, palestrante e humorista do grupo Comédia a la Carte.

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