Ziraldo deve ser banido das escolas brasileiras

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Ziraldo, autor de um dos livros mais adotados por professores nas escolas brasileiras, externou publicamente seu preconceito completamente avesso aos valores éticos.

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Famoso por seus livros infantis, o escritor Ziraldo resolveu comentar um assunto polêmico. Segundo o blog Hoje em Dia, o cartunista de 82 anos esteve em um festival literário em Poços de Caldas (MG) e criticou a abordagem da homossexualidade em novelas:

– O problema da homossexualidade é que ela está hiperdimensionada. A TV Globo acha que está fazendo um grande serviço ao ‘modus vivendi’, ao dar chance aos homossexuais de assumirem a sexualidade deles.

Em meio às críticas, sobrou até para Fernanda Montenegro, intérprete da advogada lésbica Teresa em Babilônia.

– A Fernanda Montenegro não tem direito de fazer apologia do afeto homossexual. Grandes fãs dela estão estarrecidos com isso. E mesmo que ela estivesse pensando em ajudar as mães dos homossexuais… Mas qual é a porcentagem de mães de homossexuais?

Ziraldo erra ao dizer que a novela hiperdimensiona a homossexualidade. A novela retrata um enredo com cerca de 100 pessoas entre atores e figurantes. Neste contexto expõe a rotina de um casal homossexual. Portanto, aproximadamente 2% daquele grupo social. No dia-a-dia existe menos de 2% de homossexuais nos centros urbanos?

Dizer que a Fernanda Montenegro não tem o direito de fazer apologia do afeto homossexual é antes de tudo segregar o universo afetivo aos eleitos pela “regra” heteronormativa. Homossexuais não possuem o direito de dar e receber afeto? Em que momento houve apologia a homossexualidade? Em que momento a personagem disse: “Seja homossexual! É bom ser homossexual!” ? Momento nenhum! A novela apenas dá visibilidade para uma realidade que sempre existiu. Homossexualidade na terceira idade. Não existe defesa do “modus vivendi”. Apenas um retrato de uma realidade. Assim como fechar os olhos para não ver o sol não deixará o clima mais ameno, não retratar esta realidade não fará que ela desapareça.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais orientam os professores do Brasil a desenvolver planos de ensino que fortaleçam o respeito pelas diferenças entres as pessoas e pelas diferentes orientações sexuais na perspectiva de educação para a cidadania, promovendo de modo significativo a eliminação de comportamentos baseados na discriminação sexual ou na violência em função do sexo ou orientação sexual.

Ziraldo feriu os valores de um importante documento que norteia as práticas educacionais em nosso país. Não bastasse isso feriu também os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Art.26.§2º. A educação terá por finalidade o pleno desenvolvimento da personalidade humana e o fortalecimento do respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais; favorecerá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos étnicos ou religiosos; e promoverá o desenvolvimento das atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.

Num contexto democrático todos possuem o direito de expressar suas opiniões, desde que as mesmas não atentem contra o princípio da dignidade humana. Ziraldo deu uma “aula” de preconceito que não pode ser reproduzida nem apoiada por educadores. Por esta razão poderíamos dar uma lição de ética a este autor. Boa parte da renda dele advém da venda de livros para as escolas públicas brasileiras. Por isso, não patrocine o preconceito. Não adote livros do Ziraldo.

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