Seu Cristianismo está cheio do meu Candomblé

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Os escravos não abriram mão de sua cultura. Eles a camuflaram no Cristianismo. Veja o quanto de Candomblé existe em seu dia-a-dia.

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Sabemos que o cristianismo é a filosofia que mais fortemente influencia a sociedade ocidental. Influenciou a formação da sociedade moderna , como também estabeleceu parâmetros culturais para a construção do Brasil, em seus pilares literários, artísticos, arquitetônicos e políticos.

Somos sabedores também de que a Igreja Católica já foi a maior influenciadora política do mundo. Elegendo reis e coroando imperadores, tendo sempre forte a dominante relação socioeconômica avalizada por suas supostas missões e negociações santas.

Quanto os Negros que aqui desembarcaram dos navios Negreiros, deixaram em suas terras de nascimento familiares que jamais voltariam a ver, e também a tal da liberdade, que morreriam sem poder resgatar. Desembarcaram trazendo dentro de si uma cultura forte que até hoje é percebida na arte, especialmente na arte culinária, e na religião.

Sabemos que principalmente no Litoral Nordestino desembarcaram várias tribos africanas: Angola (Bantos), Nigéria (Yorubas) e os Fõns (Jejes) vindo das terras de Daomé , atual Behin.
Os negros aqui chegando tiveram que abrir mão de elementos de sua identidade. Não podiam  sequer professar sua Fé originária. O gingado dos negros africanos driblou a frigidez europeia do colonizador. Como uma forma de perpetuar sua Fé, seus Deuses, a melhor forma foi assimilar aos Deuses do Panteão Africano aos Santos do Catolicismo.
Podemos notar a presença de imagens de Santos Católicos, como São Jorge, Santa Bárbara e tantos outros, nos templos de Matrizes Africanas. Nos Candomblés mais conservadores preservou-se até as datas dos santos católicos. Como por exemplo: O mês de dezembro que se festeja Nossa Senhora da Conceição (Oxum), Santa Bárbara (Yansãn) das Yabas (Orixas Femininas) são comemoradas em dezembro.
O “guardar a sexta-feira” deu-se à ideia da Sexta-feira da Paixão Católica, como tradição em referência ao Patriarca do Panteão Africano (Oxalá) Sincretizado no DEUS CRISTÃO.
Sendo que no calendário Nagô não existia a sexta-feira.
Por esses e tantos outros fatos sempre digo que o Candomblé é uma Religião de Persistência e similar à água. A água se não puder ultrapassar um obstáculo, ela imediatamente vai se adequar ao espaço fornecido. Se posta em um recipiente vai tomar a forma do recipiente, mas, não vai deixar de ser água. Assim é o Candomblé.

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