O que está por trás da demissão de Rafinha Bastos ?

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A Band nunca irá revelar publicamente as razões para a demissão de Rafinha Bastos e a equipe do Agora é Tarde, no entanto, são visíveis as motivações.

Rafinha Bastos chorando

Na última segunda-feira (24/03/2015) a Rede Bandeirantes anunciou publicamente a retirada do talk-show Agora é Tarde da grade de programação, e a consequente demissão de toda a equipe. O espaço ocupado pelo programa de entrevistas a partir do dia 14/04 será da série Roma, produzida pela HBO.

O fracasso não pode, nem deve ser atribuído ao humorista Rafinha Bastos, e sim a incapacidade da emissora de pensar estrategicamente sua grade de programação. Apesar de a Band se apresentar como uma emissora brasileira, sua programação é excessivamente paulista e escassamente diversa. Futebol (paulista), Datena e enlatados buscam as sobras de audiências das demais emissoras.

Ao recorrer a um enlatado para substituir o Agora é Tarde a Band reprisou a estratégia da Rede Globo quando Jô Soares esteve hospitalizado em 2014. Com a série Revenge a audiência global foi turbinada, elevando a média de audiência do horário do Programa do Jô em 62%. Em condições de igualdade Jô e Gentili passeavam na casa dos 5 pontos, com o enlatado a Globo se isolou na marca de 7 pontos.

A audiência na TV é construída pela adequação de produtos a expectativa do público e sobretudo pelo hábito. Se tomarmos como exemplo a audiência do dia 20/03/2015 perceberemos o quanto a Band tem dificuldade em migrar audiência entre as atrações da própria emissora. Das 13 atrações apresentadas 8 sequer alcançaram 2 pontos no IBOPE. Três não conseguiram 1 ponto. O destaque de audiência ficou por conta de José Luiz Datena narrando crimes no Brasil Urgente.

Outro ponto que merece destaque é a sobreposição de atrações. No futebol a Band exibe o mesmo jogo que a Globo. O hábito do público de assistir aos programas globais faz com que permaneçam sem zapear durante os jogos, como podemos notar no comportamento da audiência do dia 22/03 quando a Globo exibia o mesmo jogo que a Band com resultados de IBOPE bem distintos. Enquanto a Globo ostentava 16 pontos a Band amargurava 3.8.

Com os talk-shows percebemos um comportamento assemelhado por parte da audiência. A Band ao optar em colocar o Agora é Tarde em rota de colisão com The Noite e Programa do Jô dava aos outros apresentadores a premissa do hábito. Habituados durante décadas ao Jô Soares e mais recentemente ao Danilo Gentili, os telespectadores abriam pouco espaço para a curiosidade de saber como seria o Agora é Tarde quando os horários coincidiam.

Outra grande mudança na rotina dos programadores de TV foi a chegada de Gugu no páreo da corrida pela audiência noturna. Gugu fez até a Globo rever suas estratégias, que ampliou a duração das novelas para evitar que a faixa das 23h fosse dizimada como aconteceu durante a entrevista com Suzane Von Richtoffen, quando Gugu bateu de 17 a 15 a emissora carioca.

Com uma atração recheada de entrevistas impactantes Gugu gera uma fadiga de material no conteúdo dos talk-shows. Após sua estreia ele “roubou” cerca de 35% da audiência do The Noite e 45% da audiência do Agora é Tarde. É como se o telespectador do Gugu ao final da atração dissesse; Chega de entrevistas por hoje.

Rafinha Bastos perdeu um emprego, mas a Band parece ter perdido o rumo. Cada emissora tem alguém que personifica o canal. O SBT tem Silvio Santos, a Globo tem William Bonner, a Record tem Paulo Henrique Amorim e a Band José Luiz Datena. O sensacionalista apresentador que narra chuvas, velórios e espancamentos no começo da noite. Ou a Band muda sua grade pensando na diversidade ou continuará patinando em busca da miragem dos números de audiência que outras emissoras.deram.

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