O desabafo do professor que foi ridicularizado em vídeo gravado em sala de aula

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Pela primeira vez depois da repercussão do vídeo de seu momento de fúria vazou na internet, o professor fala o que realmente aconteceu e faz desabafo.

Professor Loren

“Fui julgado e crucificado antes de me perguntarem qualquer coisa”


Um vídeo que circula nas redes sociais tem gerado discussão entre alunos, pais e professores. Nas imagens é possível ver um professor gritando com uma aluna dentro da sala de aula. Visivelmente nervoso, o professor grita pedindo “respeito” a aluna e em seguida pede que ela saia da sala.

O professor Loren José Guimarães dos Santos Filho afirma que foi desrespeitado pela aluna, que usava o celular durante a aula. “Não só ela usava, como outros alunos. Eles riem e zombam. A gente tem que corrigir para não virar bagunça. Tem que fazer voltar a ordem”, conta.

O caso aconteceu durante uma aula de inglês para uma turma do 2º ano, na manhã da última segunda-feira (23), na Escola Estadual de Ensino Médio Dr. Silva Mello, no bairro Parque da Areia Preta, em Guarapari. Em poucas horas, o vídeo circulou por redes sociais e WhatsApp provocando discussões.

A versão do professor (reportagem Folha da Cidade)

 Importante deixar claro que não temos nada contra alunos, pais ou qualquer pessoa. Pelo contrário, queremos que todos participem da gestão democrática. Que os gestores da educação brasileira nos ofereçam condições dignas de trabalho. Temos visto uma geração passiva, perdida e sem esperança, escrava de coisas e da tecnologia. Queremos que o povo reaja, que as famílias se unam para formar cidadãos de valor, capazes de ser úteis e exigir melhorias.

A cena que circula na internet foi mostrada fora de contexto e está sendo veiculada de maneira ilegal até mesmo em grandes veículos de comunicação. É expressamente proibido o uso de imagem de qualquer tipo no interior de escolas estaduais sem autorização da SEDU ou do próprio professor.

 Não foi apenas àquela garota que eu estava me referindo naquele momento. Havia vários outros usando celular, mas isso o vídeo não mostra. Eu simplesmente quis chamar a atenção deles para a aula, eles apenas ririam da minha cara e continuariam a me desrespeitar. O professor não é valorizado, nem entendido nas suas necessidades. Viramos reféns das más condições de trabalho.

Se nós, professores, fossemos processar cada insulto, cada xingamento que recebemos, se acionássemos a justiça toda vez que alguém depredasse o patrimônio da escola ou pichasse palavras obscenas nos muros da escola, não haveria advogados ou juízes suficientes.

 

 

 A versão do Grêmio Estudantil da Escola

 Alunos da escola também se mostraram solidários ao que aconteceu com Loren Filho. O membro do Grêmio Estudantil do Polivalente, Luís Augusto Simões, afirmou que em tese, deveria estar ao lado dos alunos, mas a estudante perdeu sua razão ao expor a imagem do professor sem buscar primeiro um diálogo com o pedagogo, coordenador ou diretor da escola. “Não temos que julgar as pessoas, mas o contexto”.

Ao agir daquela maneira, Luís avalia que a aluna contribuiu para aumentar a desvalorização do professor, que é justamente o que deve ser combatido, para o bem da Educação no país.

“Acho que a partir de agora todos nós, estudantes, professores, sociedade, devemos nos concentrar no debate sobre a valorização do professor e também a reformulação do Ensino Médio. Porque a maioria dos jovens sai do Ensino Fundamental sem nenhum preparo ou estrutura para esse ambiente novo. Eles não enxergam que o Ensino Médio é um momento decisivo”. Fica aí o espaço para reflexão.

 A versão da mãe da aluna

 A família da adolescente de 16 anos, alvo da “bronca” do professor Loren afirma que vai processar o educador.

A mãe da jovem, a diarista Karina Angélica de Medeiros, acredita que a reação de Loren José Guimarães dos Santos Filho foi exagerada e sem motivo. “Ele se exaltou demais, foi muito grosso. Não precisava daquilo tudo”, afirmou.

 

“Se ele está com problemas fora da escola, ele não pode descontar dentro da sala de aula. Se ele tem problemas com a profissão devia fazer outra coisa”, argumenta.

 

A opinião do Blog sobre o fato

 Quem assistiu ao vídeo pode ter se assustado com a maneira que o professor reagiu ao fato de uma estudante o ignorar solenemente manuseando o celular durante uma aula expositiva. Concordo que existem outras formas de manifestar a indignação e educar para a liturgia da sala de aula. Mas será que alguém lembrou que o professor é um ser humano? Um ser humano exposto a longas jornadas de trabalho que transcendem os limites da escola. Que assim como qualquer outro ser humano pode ser tomado por um momento de fúria quando sua autoridade é diluída por pais permissivos que criaram adolescentes que não aceitam ouvir “não!”. Neste momento ao invés de conversar com os filhos sobre a importância de respeitar os professores e ter um comportamento ético no ambiente escolar, reforça-se o a sensação de empoderamento de quem acredita que as mensagens no whatsapp são mais importantes que as lições que um educador pode oferecer.

 

PS. A jornalista que colheu os depoimentos do professor e do grêmio estudantil é a Gabriely Sant’Ana. A quem o blog rende homenagem por ter sido a primeira a tratar de forma verdadeiramente jornalística o episódio.

 

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