Levy Fidelix não é homofóbico. Ele é burro mesmo.

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As declarações homofóbicas de Levy Fidelix no debate exibido pela TV Record no domingo (28/09/2014) expuseram a dimensão da ignorância do candidato sobre a sexualidade. Inclusive sobre a heterossexualidade.

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No debate da Record mais um capítulo da evidente ignorância da diversidade foi escrita na TV brasileira. Teve como protagonista o eterno candidato, que nunca alça 1% de intenção de votos, Levy Fidelix do PRTB. Numa tentativa de flertar com eleitores reacionários ele conclama para uma batalha contra os homoafetivos: “Somos maioria vamos combater essa minoria.”

Antes de analisar o discurso é importante situar historicamente quem é o senhor José Levy Fidelix da Cruz. Seu auge na política se deu ao ser assessor de comunicação de Fernando Collor de Mello na presidência entre 1989 e 1990. Foi 12 vezes candidato. Tentou de vereador a presidente e sempre teve votações pífias. Como podemos notar no quadro abaixo:

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Diante de tantos insucessos estrambólicos o que leva uma pessoa a se expor consecutivamente a situações tão vexatórias? Acessar os recursos do Fundo Partidário é uma boa tese para explicar a situação política de Levy Fidelix.
O PRTB recebeu R$ 109.522,57 por mês este ano do Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos. Só este ano já foram repassados R$ 1.096.522,70 a um partido inconsistente ideologicamente e eleitoralmente. Nos últimos seis anos, o partido presidido por Fidelix recebeu R$10.459.526 entre Fundo Partidário e doações privadas.

Uma outra tese que ajuda a entender a persistência de candidatos nanicos, apresentada pelo cientista político Aldo Fornazieri, é o fato de partidos maiores financiarem as siglas que não têm projeção para falar mal dos candidatos rivais. Inclusive este fato foi denunciado recentemente pelo jornalista Kennedy Alencar no debate do SBT. Tal fato causou a fúria do presidenciável Levy Fidelix.

Agora que você sabe exatamente quem é este senhor podemos analisar as suas declarações com maior clareza, uma vez que identificamos no tempo e no espaço o nicho de seu universo ideológico.

A presidenciável Luciana Genro questionou Levy Fidelix: “Por que pessoas que defendem a família se recusam a reconhecer como família pessoas do mesmo sexo?” Diante deste questionamento ele destilou todo o ideário homofóbico mais rasteiro que se teve notícia num debate entre presidenciáveis.

Vamos analisar trecho a trecho a fragilidade da argumentação do candidato do PRTB.

“Pelo que eu vi na vida, dois iguais não fazem filho”

Se o fato de não fazer filho é que torna ilegítima a união entre pessoas do mesmo sexo, deveria também condenar o casamento de pessoas que por opção ideológica não possuem filhos. Segundo o CENSO 2010 o percentual de casais sem filhos no Brasil é de 20,2%. Vale aqui também destacar que alguns casais não possuem filhos por dificuldades financeiras ou clínicas. Seriam eles também aberrações? E os casais de idosos (como o presidenciável) que não podem mais reproduzir por limitações biológicas? Devemos extinguir casais de idosos?

“Aparelho excretor não reproduz”

Será que ele desconhece que o pênis é também um aparelho excretor? O pênis é excretor de urina e sêmen. Devemos não usar o pênis também?

O sexo entre pessoas homossexuais é exclusivamente anal? Se pensarmos assim as relações lésbicas estão asseguradas no estatuto moral do senhor José Levi. O desconhecimento dele é evidente não apenas no que tange relações homossexuais, mas também ao universo da sexualidade de um heterossexual. Ao pensar o sexo exclusivamente por meio da penetração vaginal ele descarta as inúmeras possibilidades do sexo oral e resume o campo da sexualidade exclusivamente aos órgãos genitais. Despreza o fato que o corpo inteiro é um órgão sexual. Falta criatividade e imaginação ao sexagenário…

“E vamos acabar com essa história. Eu vi agora o padre, o santo padre, o papa expurgar – fez muito bem – do Vaticano um pedófilo”

A ignorância do José Levi é tão estratosférica que confunde homossexualidade com pedofilia. Revela desconhecimento dos conceitos de orientação sexual e doença. Pedófilo é um doente com distúrbios de comportamento e homossexual é tão e somente uma pessoa que não reflete os padrões da heteronormalidade.

“O Brasil tem 200 milhões de habitantes? Se começarmos a estimular isso aí daqui a pouco vai reduzir pra 100”

Uma resposta típica de portador de homossexualidade latente. Nesta lógica as pessoas não se assumem homossexuais por falta de amparo legal. Se o José Levi acredita que existam 100 milhões de brasileiros no armário esperando a chave dele abrir o horizonte está beirando os limites da patologia clínica. Vale até mesmo destacar que muitos destes casais homoafetivos brigam na justiça para adotar crianças que casais heterossexuais jogaram nas ruas.

“E o mais importante é que esses que têm esses problemas realmente sejam atendidos no plano psicológico e afetivo, mas bem longe da gente, bem longe mesmo porque aqui não dá”

Homossexualidade não é doença. Desde 1973 o termo homossexualismo é condenado pela Associação Americana de Psiquiatria. Desde 1990 a OMS (Organização Mundial de Saúde) baniu da lista internacional de doenças. Em 1985 o Conselho Federal de Psicologia do Brasil deixou de considerar o termo “opção sexual”. Não há opção e sim condição. Além de suas declarações demonstrarem ignorância elas ainda estimulam um apartheid. São cúmplices e coautoras do histórico de violências contra homossexuais e transgêneros em nosso país.

Imagino como seus filhos e netos sintam vergonha de ter em seu material genético algo tão asqueroso e constrangedor.

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