Jovem é agredida por ter cara de sapatão

0
271

Ele me chamou de sapata nojenta e disse que eu ia apanhar muito por causa dessa “ cara asquerosa de sapatão ”. Depois me espancou.

homofobia-bahia-sapatao

“Quando ele me forçou no muro e me deu um tapa, disse que era pra eu deixar de ser abusada e responder quando um homem falar comigo, porque ‘gente da minha raça é a escória desse país e tinha que ser eliminada’”. O forte relato é de uma jovem de 19 anos, de Salvador. Ela afirma ter sido violentamente agredida na noite da última quarta-feira, quando esperava por um ônibus no bairro de Brotas.

De acordo com a jovem, não havia mais ninguém no ponto na hora do ataque. O homem, de pele branca e cabelos negros, a seguiu por alguns momentos antes de inicar a agressão, com mais ameaças e ofensas de cunho homofóbico.

— Ele veio assediando, com um tom de ameaça de estupro, que ia “me arregaçar inteira”, mas até aí achei que era só misoginia. Então ele me chamou de sapata nojenta e disse que eu ia apanhar muito por causa dessa “cara asquerosa de sapatão”. Disse que “essa merda se resolve em um mês, amarrando e fud**** todo dia”.

A jovem foi atingida por socos, pontapés e teve a cabeça batida contra o chão, quando já estava deitada por causa das agressões. Durante o ataque, ela temia ser estuprada. Para se livrar do agressor, permaneceu deitada, para não desmaiar. Os golpes não só deixaram uma mancha roxa no rosto da vítima, mas também sequelas.

Esta não foi a primeira vez que a baiana foi agredida. Aos 15 anos, ela levou um soco de um desconhecido ao andar de mãos dadas com a namorada. Há cinco anos, ela pratica muay thai, mas nem a prática de luta a livrou das agressões. Descrente da Justiça, ela conta que só registrou a ocorrência por insistência de um amigo. Ela teme que o agressor fique impune e acredita que o crime foi motivado por homofobia.

No Facebook, a foto da jovem com o rosto marcado pelas agressões tem rendido centenas de mensagens de apoio. No desabafo, ela pede para que os amigos não se preocupem, mas deem atenção às vítimas, caso sejam testemunhas de uma agressão. Ela espera que o caso sirva de lição.

“Muitas mulheres precisam e são igualmente ignoradas em detrimento dessa ‘política’ de não se meter em briga de marido e mulher. Não ignorem sinal nenhum de mulher nenhuma. Nem os involuntários. Pergunte mesmo que ela talvez não te responda. Deixe ela saber que ela é vista e pode ser ajudada. Não dê benefício da dúvida a agressor”.
FONTE: Jornal EXTRA

Comentários

Comentários