A gremista racista foi condenada a morte

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Patricia Moreira, a torcedora do Grêmio, que praticou crime racial contra o goleiro do Santos pode ainda não ter sido condenada pela Justiça, mas pela sociedade a sentença foi dada: Morte !

gremista racista

A torcedora gremista flagrada pelas câmeras de transmissão de TV chamando o goleiro Aranha de “macaco” durante a partida entre Grêmio e Santos na noite de quinta-feira, em Porto Alegre, foi afastada do trabalho no Centro Médico e Odontológico da Brigada Militar.

Mas esta não foi sua única sentença pelo crime. Ela teve a casa apedrejada, recebeu ameaça de morte por telefone e centena de milhares de xingamentos em seus perfis no Facebook e Instagram. O volume de insultos foi tão grande que ela se sentiu obrigada a deletar suas redes sociais e se refugiar em local secreto até para familiares.

macaco racista

Não foi a primeira vez que Patricia Moreira comparou um jogador negro a um macaco. Tinha experiência e se orgulhava de ser racista. No seu Instagram mostrava para amigos, e quem quisesse ver, um macaco de pelúcia com a camisa do Internacional. Fazia cara de asco olhando o que segurava nas mãos. Colocava a língua para fora da boca como se fosse repelente o boneco.

Autor do livro A evolução do futebol e das normas que o regulamentam — Aspectos trabalhista-desportivos, Veiga acredita que a punição tem caráter pedagógico e evita a repetição:
— Por mais que não tenha antecedentes (criminais) e possa ter sido movida pelo que os outros estavam fazendo, ela cometeu um crime. Se não for punida, outros vão achar que podem fazer igual — disse.

A doutora em Psicologia Raquel da Silva Silveira, professora e integrante do Centro de Referência em Direitos Humanos da UFRGS, considera positiva a repercussão e é enfática:
— Não acho que esteja havendo uma vitimização dela (nas redes sociais), mas uma responsabilização. Vítima é o negro que foi chamado de macaco. Ela está sendo responsabilizada publicamente pelo ato errado, o que é bom, porque significa que as pessoas estão desaprovando essa prática — aponta Raquel.

Independentemente do que possa acontecer com ela no plano judiciário um fato já é irreversível. Ela foi condenada à morte. A Patrícia que existiu até o momento anterior ao xingamento nunca mais vai existir. Com a exposição massiva da imagem dela em noticiários de diversos países, sua imagem será sempre associada a do preconceito racial. Sua vida social não estará exposta em selfies. Seu cotidiano será um longo e silencioso exílio.

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