Feliz Aeon Novo!

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É véspera de reveillon, o que significa que um novo ciclo desponta. É hora de liquidar o ano velho, todos concordam em uníssono. Mas você já estar cansado da conversa fiada de “feliz ano novo”, sempre igual todos os anos, sobre os sonhos que não vão se realizar no ano que vai nascer.

Não precisa trocar de blog. Eu não vou ficar aqui repetindo o bla-bla-bla de sempre, ecoando a vinheta da Globo e as mensagens coloridas do Facebook. Ao invés de fazer como todos os outros e te desejar um Feliz Ano Novo, eu te desejo um Feliz Aeon Novo! Que a aurora do ano seja também o início de uma nova era.

Silvester-2015

A palavra latina Aeon apresenta os sentidos de era, tempo, geração ou eternidade. Sua origem etimológica é o vocábulo grego Aiôn, nome próprio de uma entidade alegórica, filha de Chronos, o deus do tempo. Aiôn, um dos conceitos gregos de tempo, se reveste de diversos sentidos: período de tempo indeterminado, eternidade, idade, geração e século.

O Novo Aeon, anunciado pelo escritor inglês Aleister Crowley no início do século XX, se apresenta como alternativa que procura suprir as necessidades que o sistema se mostrou incapaz de satisfazer. Assim, procura preencher as lacunas deixadas pelas instituições estabelecidas, que não conseguiram concretizar as promessas de “igualdade, liberdade e fraternidade” e “ordem e progresso”.

A redenção posta no futuro – todo dia 31 de dezembro desejamos que o ano seguinte seja melhor e diferente – sustenta o sistema dominante. O princípio da indiferenciação – todo mundo usando roupa branca, bebendo espumante e apreciando os fogos de artifício – busca homogeneizar a sociedade, dissolvendo as individualidades numa totalidade cega, sem deixar lugar para a realização das vontades individuais.

A indústria cultural – televisão, rádio, jornais, revistas, internet – induz ao consumo de mercadorias para que o consumidor se sinta integrado a uma totalidade ou a uma comunidade, com suas crenças, hábitos, modas, estilos, ídolos e ilusões. Assim, por exemplo, as festas de réveillon de todo mundo tem os mesmos tipos de comida, bebida, vestuário, música.

Aleister Crowley, em contrapartida, defende que “todo homem e toda mulher é uma estrela”, isto é, cada ser humano é único e exclusivo, dotado de vontades e pensamentos próprios, sendo a distinção algo característico do humano e, portanto, sua condição de semelhança. O que temos em comum é que somos todos diferentes. Com o livre desenvolvimento de cada um sendo a condição do livre desenvolvimento de todos, os astros farão sua trajetória uns em torno dos outros, respeitando-se as diferenças.

Em 2015, em vez de esperar que um poder externo a nós justifique o mundo, precisamos apostar na capacidade humana de autolibertação. Se a vida é um canteiro de obras, como diz o título de um filme do diretor alemão Wolfgang Becker, é preciso, então, colocar a mão na massa e trabalhar em sua construção.  Isto é, conferir um sentido à existência. Um significado que a engrandeça e fortaleça, tornando a vida digna de ser vivida. Só assim poderemos ter um feliz ano novo, alcançando a paz, a liberdade e um mundo melhor.

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