Professor , não se transforme num mimeógrafo

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Quando os conceitos de criatividade e inovação são aplicados ao cotidiano escolar percebemos o quanto precisamos desapegar da figura do professor mimeógrafo.

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Num passado nem tão distante o professor ser apontado, ou autodeclarar-se como criativo era um diferencial de mercado que o colocava em uma seleta casta de educadores.

Hoje o professor que não exercita o potencial criativo na elaboração, desenvolvimento e avaliação de suas aulas corre o risco de se tornar uma espécie de mimeógrafo do século XXI.

Mimeógrafo foi uma das primeiras tecnologias de cópias em série utilizadas nas escolas. Há quem até hoje sinta saudade das provas ainda úmidas, exalando o cheiro de álcool. Alguns professores mais românticos até rodavam provas com desodorante para perfumar o ambiente escolar.

Ao final do século XX populariza-se nas escolas o uso das fotocopiadoras, popularmente chamadas de xerox, em uma menção ao nome do fabricante. A diagramação das provas em computadores somada a ação devastadora das fotocopiadoras levou a estrela das salas-de-professores para depósitos e museus.

Como educadores precisamos ter em nosso íntimo uma incessante chama que nos incentive a fazer mais e melhor para continuarmos a reger com excelência o ensino. A inovação não é uma demanda exclusiva das empresas de tecnologia, ela é, ou deveria ser um exercício permanente de todo ser vivente.

De onde brota a inovação? Para Steve Jobs a inovação vem de conexões e experiências. Quanto mais ampliamos nosso cardápio de experiências, mais conexões entre estas experiências podem gerar insights. Podem gerar respostas criativas aos problemas. Desta maneira, os problemas deixam de ser fatores assustadores, e passam a ser percebidos como desafiadores quebra-cabeças.

Chico Buarque em uma de suas canções descrevia, mesmo sem querer, o cotidiano de muitas práticas educativas: Todo dia ela faz tudo sempre igual.
Não aprendemos a fazer diferente na sala de aula se nossa atitude na vida é rotineira. Reinventar o cotidiano é uma eficiente maneira de ampliar o conjunto de experiências.

A pergunta que está no nascedouro de qualquer ideia é: E se?

Diante da tentação comodista de reproduzir mecanicamente o que achamos que fazemos bem devemos lembrar de questionar: E se fosse de outra maneira? E se fosse em outro lugar? E se fosse num outro ritmo? E se fosse com você? E tantos outros “e se?”.

Vale lembrar que os mesmos questionamentos que fazemos para a prática educativa podemos fazer para diversas instâncias da vida, inclusive para o amor. Na medida em que nos desafiamos a elaborar novas possibilidades somos surpreendidos com o quanto pode ser melhor aquilo que julgávamos bom.

O medo de inovar muitas vezes vem da excessiva preocupação com o erro. No entanto, o erro só é prejudicial quando nada nos ensina. Avaliar é muito mais que dar prova. Avaliar é diagnosticar processos. Processos de ensinar e de aprender.

Quando apresentamos para nós mesmos esta dimensão libertadora o estudante também se sente encorajado a exercer sua criatividade.

Experimente neste ano letivo ir além da reprodução. Experimente mudar a geografia da sala-de-aula. Experimente se experimentar. Experimente ser mais que um mimeógrafo.

Fabio Flores é Pedagogo, Geógrafo e Especialista em Formação Docente.

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