Eleições: na curva do futuro

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No dia 26 de outubro nós ajudaremos a decidir que rumo o país deverá seguir nos próximos quatro anos. Na encruzilhada que nos conduzirá ao porvir, faremos a curva à direita ou à esquerda? O viés será liberal ou conservador? Antes de responder que tais categorias são ultrapassadas e não fazem mais sentido, continue a leitura.

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Atualmente, muitos se orgulham de ser apartidários. Eu mesmo não sou filiado a partido político, mas mesmo quem não é militante vai ter que tomar partido de alguma forma, seja votando em branco, nulo ou justificando o voto – optar por não escolher também é uma decisão que traz consequências para o futuro do país. Qualquer reforma política será feita com os partidos políticos que temos aí e possuindo um direcionamento político – a não ser que o povo decida pegar em armas para fazer uma revolução, tentando criar uma nova ordem social a partir do caos.

Quais tipos de mudanças você quer? As causas comuns como mais saúde, educação e prosperidade – que quase todos defendem – são compreendidas a partir de perspectivas políticas distintas. Qual é o melhor método para a condução do país? Que tipo de saúde, educação e prosperidade você espera?

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Quem é liberal, defende que o Estado deve ser laico e intervir o mínimo possível na vida das pessoas. O liberal mantém o espírito aberto e tolerante, não se intrometendo nas suas decisões pessoais, dentre as quais se incluem suas opções sexuais, as substâncias químicas ou naturais que você usa, sua religiosidade, etc.

O conservador é contrário a mudanças ou adaptações de caráter moral, social, político ou religioso. Para ele, todo brasileiro deve seguir os tradicionais preceitos cristãos: a família deve se restringir à configuração “pai, mãe e filhos”; aborto e drogas devem ser criminalizados; gays não devem ter os mesmos direitos dos heterossexuais; mulheres devem ser submissas aos homens; o golpe militar de 1964 foi uma revolução que salvou o país da ameaça comunista.

Os liberais e os conservadores podem ser de Esquerda ou Direita. Por exemplo, quem se posiciona no amplo espectro da Direita (diversos partidos e apartidários) defende que a saúde e a educação serão melhores se forem privadas. Quem se posiciona no amplo espectro político da Esquerda (diversos partidos e apartidários) defende que a educação e a saúde sejam públicas e de qualidade. De que lado você está? Não vale ficar em cima do muro.

Para você o salário mínimo atual, no valor de R$ 724,00, é alto ou baixo? As universidades devem ser públicas e gratuitas ou privadas e pagas? O governo deve investir em bolsas de estudo e pesquisa ou os estudantes devem trabalhar para ganhar o pão com o suor do próprio rosto? Os hospitais devem ser públicos e gratuitos ou os cidadãos devem trabalhar para pagar planos de saúde? O governo deve investir em políticas públicas de combate à pobreza ou os pobres e miseráveis devem se esforçar mais para conseguirem alimentar suas famílias? Você é a favor ou contra a taxação de grandes fortunas? Você é a favor ou contra da flexibilização dos direitos trabalhistas? Os movimentos sociais devem ser criminalizados ou legitimados? As empregadas domésticas devem ter os mesmos direitos de todos os trabalhadores ou a Lei Áurea deve ser revogada?

As suas respostas para as perguntas acima vão dizer muito sobre a sua posição política, sua ideologia, crenças e valores, indicando se na curva do futuro você deseja virar à esquerda ou à direita, com perspectiva liberal ou conservadora. Indicam também em qual dos dois candidatos a Presidente da República você vai votar, ou se não vai votar em nenhum deles.

Quando decidir que direção seguir, não se esqueça do alerta de Raul Seixas: “na curva do futuro muito carro capotou”. Para evitar acidentes, observe que nos regimes democráticos todas as relações sociais devem ser resultado de uma negociação na qual se busca o consenso e se respeita a reciprocidade, fundados no melhor argumento. Cada interlocutor deve suscitar uma pretensão de validade quando se refere a fatos, normas e vivências, e existe uma expectativa que seu interlocutor possa contestar essa pretensão de validade com argumentos. Uma Democracia se faz com diálogos feitos de bons argumentos, não com discursos de ódio e violência.

Reproduzido do Ano Zero, 21/10/2014.

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