Diário de um Imigrante em Dublin – Cap: 14 – Uma Despedida, o Aspira, A Luz e o Emprego

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O fim da rotina. Coisas começam a acontecer em Dublin.

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Tirando o fato de estarmos em outro país, os nossos primeiros três meses de Dublin foram de uma rotina chata e já mencionada algumas vezes por aqui. Até que coisas começaram a acontecer…

Nossa amizade com as vizinhas aumentava cada vez mais. O fato do apartamento delas estar em cima do nosso ajudava na aproximação. Elas também haviam chegado na Irlanda há apenas três meses e também estavam nesse período chato de adaptação, procura por emprego e saudade de casa. O companheirismo e sincero apoio era mútuo entre todas as partes.

Nesse meio tempo eu e Chatuba decidimos mudar nossa estratégia de como procurar emprego. Decidimos parar de mandar currículo para todas as vagas que apareciam e focar exclusivamente nas de housekeeper (camareiro). Dentre os chamados “subempregos”, esse parecia ser a melhor opção para a gente, já que o número de ofertas era alto devido a grande quantidade de hotéis em Dublin.

Mandávamos vários currículos por e-mail, mas demos preferência por entregá-los pessoalmente. Tínhamos esperança de, com alguma sorte, encontrar com o gerente e, quem sabe, já rolar uma entrevista ali mesmo. Diariamente andávamos quilômetros e quilômetros atrás de tudo quanto é hotel em Dublin. Cada dia focávamos em um bairro. Tínhamos a certeza que a qualquer hora esse esforço seria recompensado.

Foto de D4, região de Dublin com muitos hotéis e onde andamos muito entregando currículos.
Foto de D4, região de Dublin com muitos hotéis e onde andamos muito entregando currículos.

Enquanto isso, num dia de semana normal, recebo a notícia: Leo resolve voltar pro Brasil. Essa novidade caiu como uma bomba pra mim. Fiquei triste pelo fato de ter sido ele a pessoa que trouxe a ideia de ir pra Irlanda, sendo assim de certa forma o responsável pela viagem. E claro, fiquei triste por ter um amigo indo embora. Além disso, tenho que confessar, fiquei preocupado com quem seria o futuro morador da república.

Leo marca a data da volta e em sua última noite fizemos uma despedida. Chamamos as vizinhas e alguns amigos para tomarmos umas latas de cerveja. Na verdade foram várias. Muitas.

Já nessa noite conhecemos e escolhemos quem iria entrar na vaga dele. O também capixaba e gente boa Felipe, que a partir desse dia ficou conhecido como Aspira.

As horas passam, o dia amanhece, Leo vai embora. Temos a primeira das várias e sempre tristes despedidas que iriam acontecer nesse período de Irlanda.

Poucos dias depois a vizinha Luciana, mais conhecida como Luz, bate na porta do nosso apartamento e fala que a gerente do hotel onde ela trabalhava estava contratando housekeepers e pediu indicações. Mais que prontamente mandamos nossos currículos.

Não demorou para que fôssemos chamados para entrevista, já que nos bastidores a Luz já tinha feito o nosso filme. Pegamos dicas sobre as possíveis perguntas que seriam feitas e nos preparamos.

Quando chegou a hora eu estava muito nervoso, é claro. Seria minha primeira entrevista em inglês. Mas logo eu, Chatuba e Rodolfo (amigo nosso que também foi chamado) percebemos que essa entrevista era algo protocolar, obrigatório. As vagas já eram nossas. Depois de poucas e fáceis perguntas feitas separadamente com cada um, a simpática gerente nos reúne e informa que vamos começar a trabalhar no dia seguinte.

Alívio. Não tem palavra que se encaixava melhor naquele momento. Fomos pra casa com um sorriso estampado no rosto, mas acima de tudo aliviados. A tal da crise ainda era algo que nos preocupava e foi uma sensação muito boa ligar pros meus pais dando as boas novas.

Chegamos em casa e fomos direto agradecer, e muito, a Luz. O apelido não é a toa. Decidimos comprar algumas cervejas para comemorar, mas poucas. Não parece mas somos responsáveis. O Aspira convidou uns amigos para conhecer o apartamento e logo tinha uma galera bacana em casa. Tomamos umas de leve, me despedi e fui pro quarto ainda com o sorriso no rosto. “Finalmente estou empregado na Irlanda.”

Dormi sorrindo e ansioso. Acordei assustado e com um barulho. Era madrugada e algo aconteceu no apartamento.

Cheers

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