Diário de um Imigrante em Dublin – Cap: 09 – St. Patrick’s: O Dia Seguinte

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A batalha etílica em Dublin foi encarada com honra. Mas sempre há o dia seguinte.

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Acordo. O olho pisca algumas vezes tentando se acostumar com a claridade do local. “Putz, a porcaria dessa cortina não escurece nada.” Preciso ir ao banheiro, mas logo percebo que levantar não vai ser fácil. “Meu Deus, como vou sair dessa cama?” Depois de um processo longo, saio do quarto, vou ao banheiro e encontro o pessoal na sala. Todos nós que gostamos de tomar umas estamos acostumados com a ressaca do dia seguinte, mas nesse dia eu, e tenho certeza que todos naquela casa, pensaram “ontem foi tenso.”

O desespero por uma coca-cola estava estampado em todos nós. Por sorte uma santa amiga tinha comprado e deixado na geladeira uma garrafa ao ver a nossa situação no dia anterior. Apesar do estado de cada um era inevitável o sorriso e a sensação de missão cumprida no que se refere a aproveitar o St. Patrick’s Day. Mas precisávamos lembrar melhor o que fizemos.

Primeiro passo: tentar lembrar exatamente o quanto bebemos. Eu particularmente fiquei assustado com a quantidade e confirmei algo que já desconfiava: no frio a gente consegue beber bem mais. Nunca fui dos mais fortes com bebida e tenho certeza de que se eu tivesse bebido em Vitória o que eu bebi no St. Patrick’s, eu ficaria de ressaca por semanas. Os meses seguintes em Dublin só confirmariam essa minha tese.

Qualquer semelhança com um certo filme não é coincidência e sim necessidade. Resolvemos checar os bolsos para tentar lembrar com mais clareza tudo que aconteceu. Havia algumas moedas (ok, gastamos dinheiro), uma tampa de bebida amassada (provavelmente alguém colocou em nossos bolsos), um papel (não conseguimos entender muito bem o que estava escrito nele) e um band-aid (isso foi estranho, ninguém tinha nenhum machucado).

Com o tempo conseguimos lembrar de muitas coisas, algumas bem curiosas, como:

– Havia muitas mulheres bonitas na rua. Tipo… muitas. Mas um de nós, não satisfeito com isso, resolveu dar em cima de uma policial. Por sorte, MUITA sorte, ela foi simpática e não prendeu ninguém.

– Em um determinado momento do dia, a temperatura de 5 graus realmente não incomodava mais. Foi um mistério o modo como, mesmo sem usá-los, os casacos chegaram em casa.

– Quando estávamos indo embora um de nós entrou num albergue e ficou lá por duas horas. Até hoje nem ele, nem ninguém, sabe o que aconteceu durante esse tempo.

Sinceramente não sei como não acabou a água do prédio nesse dia. O consumo em casa foi grande… Ainda havia muitas festas pela cidade, mas não tínhamos condições de fazer nada, só começar a contagem regressiva pro St. Patrick’s Day 2012.

Cheers

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