Diário de um Imigrante em Dublin – Cap: 08 – St. Patrick's Day

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O grande dia chegou. Dublin ficou verde.

PattysDay (13)

17 de março de 2011

St. Patrick (São Patrício) é um dos padroeiros da Irlanda e a festa em Dublin é mundialmente famosa. Dizem que as comemorações nos Estados Unidos também são bem grandes e animadas, mas nada como estar na festa original. Para celebrar a data há um grande desfile que passa por boa parte do centro da cidade. Eu queria muito ter ido vê-lo, já que ele sempre termina na Catedral de St. Patrick, que fica muito perto de onde eu morava. O problema é que esses desfiles sempre começam cedo, e acordar cedo depois de um dia como o anterior era impossível…

Image:

Nós queríamos ter ido ver o desfile, mas não nos importamos muito por ter perdido, afinal de contas ficaríamos na Irlanda por alguns anos, então teríamos outras oportunidades. Acordamos, bebemos coca-cola, ligamos o boiler, coca, fizemos um macarrão, mais coca-cola, conversa, banho, coca, rua. O desfile tinha ficado para trás, mas havia muita festa e uma longa jornada etílica pela frente.

Fomos direto pro Temple Bar, uma região turística e famosa de Dublin, por ter milhares de bares colados uns nos outros. Só para exemplificar, é como se fosse a Lapa, no Rio. Havia muita gente na rua e pelos bares, mas nada que surpreendesse nós brasileiros. Não era algo que nunca tínhamos visto na vida. Sinceramente, me lembrou qualquer comemoração de título do Mengão em Vitória. Milhares de pessoas usando roupas com a mesma cor (no caso verde), brincando e bebendo. A diferença é que no St. Patrick’s a maioria das pessoas também usa roupa de frio.

Infelizmente, com poucos minutos um dos mitos sobre o St. Patrick’s Day caiu. Antes de ir pra Dublin, eu escutava que esse era o único dia  em que era permitido beber na rua. Mentira. Na verdade, como o volume de pessoas bebendo é muito grande, a polícia tem dificuldade de controlar. Muita gente bebe abertamente sim, mas a maioria coloca a bebida em algum recipiente de bebida não-alcoólica (refrigerante, suco, etc.). Foi o que fizemos.

Há de se ressaltar o comportamento da polícia irlandesa. Quando eles encontravam alguém bebendo abertamente, eles não brigavam, não multavam e nem prendiam. O que eu mais vi eles fazerem era pegar a bebida da pessoa (as vezes falavam “com licença”, as vezes não), jogar o líquido no chão e a garrafa no lixo. Perfeito, evita o estresse deles e do povo. Quem quiser que se arrisque a beber sem se esconder e estar sujeito a perder qualquer coisa que tenha comprado.

Temple Bar
Temple Bar

Ficamos todo o St. Patrick’s Day na região do Temple Bar. Conversando, bebendo, transformando a festa numa micareta. Mas um dos aspectos mais legais, sem dúvida, é a possibilidade de conhecer pessoas do mundo todo. Isso em Dublin é normal, ocorre diariamente. Porém, em festas desse tamanho a proporção é muito maior. Não dá pra contar (ou lembrar) exatamente o número de pessoas de nacionalidades diferentes com que conversei. E olha que meu inglês não era dos melhores, mas o álcool é um excelente professor.

Uma lembrança que tenho foi ter conversado com um americano gente boa que era do exército e esteve no Iraque. É esquisito vermos semanalmente notícias da guerra naquela parte do mundo e de repente conversar com um cara que esteve lá.

Coisas aconteceram nesse St. Patrick’s, muitas coisas… Lembrou um pouco “Se Beber Não Case”. O dia seguinte da festa e a reconstituição de tudo que aconteceu merecem um texto próprio.

Cheers

PS:  Vimos muitos bêbados pelo chão durante toda a festa. Uns com mais consciência, outros com menos. Uns com amigos, outros sozinhos. Todos se mexiam, mas teve um que não. Nós quatro ficamos reparando um cara que ficou horas no chão completamente imóvel. Uma ambulância teve que vir pegá-lo. Eu, Leo e Raoni achamos que ele estava apenas desmaiado por causa da bebedeira. Porém, como ele não se mexia nem um pouco, até hoje Chatuba jura que ele estava morto.

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