Cantora do Trem da Alegria vira maconheira

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Cantora revelada no grupo de maior sucesso dos anos 80 virou maconheira. Veja o depoimento polêmico desta cantora que embalou sua infância.

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Patrícia Marx, conhecida nacionalmente pelo sucesso do grupo musical infantil Trem da Alegria, criado em 1984, cresceu, mudou e apareceu. Aos 40 anos, ela decidiu dar um basta na imagem lúdica e já há algum tempo divide seus momentos no Instagram, para todo mundo ver. Nesta quinta-feira (31), Patrícia publicou uma foto polêmica em que aparece fumando um cigarro de maconha, junto a um texto elucidativo sobre o assunto: “Fumo porque me liberta. Fumo porque quero. Porque sou rebelde. Porque acho contraditório. Porque quero provocar vocês. Porque gosto de estar no todo que isso me proporciona. Porque faz bem e não o mal que o cigarro faz. Porque provoca alegria. Porque é um ato político. Porque sou do contra. Porque há um tabu que eu quero desfazer. Porque nem todo mundo entende. Porque muita gente entende. Porque fazer musica e cantar assim é um voo, uma entrega brilhante. Porque sou criativa e gosto de estar estimulada. Porque me faz perceber coisas que não enxergo no dia a dia. Porque é perfumado. Porque eu quero fazer você pensar e se livrar do preconceito com relação à tudo. Apologia ou não, segue o meu parecer. Você decide”.

À coluna, ela disse que a atitude, totalmente pensada, foi um ato de liberdade. “Estou usando meu Instagram para me mostrar como pessoa, minha intimidade. É a Patrícia e não a Patrícia Marx. Existia uma dicotomia entre a personagem e a pessoa. Porque lógico que as pessoas estão esperando por um personagem nesse meio artístico, mas isso não combina comigo há muito tempo”, diz ela, enquanto circulava pela Avenida Paulista para esperar o rush diminuir e voltar para Cotia, onde mora.

Num outro post na rede social, a cantora explica, minuciosamente, numa espécie de minibiografia, quem ela é nessa nova fase da vida. “Welcome aboard! Patrícia Marques de Azevedo 28/06/74 Câncer com ascendente em Câncer, mãe do Arthur de 15. Trinta anos de carreira. Ser humano, mulher, esposa, criativa, artista, sensível, forte, louca varrida, coração mole, mãezona, porra louca, transparente, direta, divertida quando quero, depressiva as vezes, de lua, responsável, pago minhas contas, falo o que penso, faço o que quero, dona do meu nariz, só faço o que gosto e acredito, pago o preço em nome da arte, música é minha alma, moda é auto-expressão estética no seu mundo, arte é minha alma, amo sexo, amo minha família, amo todos os animais do planeta, fumo vários becks, vegetariana, espiritualista, medito com os alienígenas, boa pessoa, boa amiga, reikiana, amo jazz, amo musica erudita, amo etnias, amo as pessoas, acredito (ainda) no amor, sinto tudo muito, sinto as dores dos outros, gosto de cuidar, gosto de ver todo mundo bem, gosto de alegria embora seja mais melancólica, caranguejo, amo ficar sozinha de vez em quando. Trabalhei duro na infância, duro mesmo. Vocês nem imaginam. Enquanto vocês se divertiam, eu estava trabalhando sem férias e tempo para descobrir o mundo normal. Mas não lamento. Resolvo tudo na terapia. Portanto, venham aqui pra curtir, ou simplesmente me conhecer, absorver minhas ideias através das imagens, da estética, da proposta toda. Isso tudo sou eu sem pôr nem tirar. Se veio aqui para julgar, vai estudar ou ler jornal. Obrigada a todos que aqui estão comigo, compartilhando vida através de arte”.

Confira o papo de Patrícia com a coluna:

Como está sentindo a repercussão da imagem polêmica?
Isso foi um basta. Eu matei o personagem. Quero ser eu e que as pessoas gostem de mim do jeito que eu sou. Fingir ser outra coisa faz muito mal para as pessoas e para os artistas, prejudica a saúde física e emocional. Existem muitas pessoas que sofrem porque não seguram a onda. Faço análise há um ano e meio e, aos 40, a vida te espreme e diz para ser feliz agora. É muito f&%$# isso. O carinho das pessoas me abastece muito. O que quero trabalhar com o público é a descaracterização do personagem.
O que diria às pessoas que falam do mal exemplo da sua atitude?
Morro de rir. Mas entendo. Tenho que respeitar. Sou a favor da legalização da maconha porque é uma coisa ridícula… O álcool e o cigarro são lícitos e a indústria ganha um dinheirão em cima disso. Maconha não é do mal, é natural. Você fica relaxado, abre todos os caminhos do bem. Controla a ansiedade e é ótimo para a criatividade. Fico mais rápida e mais alerta. Bob Marley morreu de câncer no pulmão, mas porra, ele fumava para caramba, cigarro e maconha… Não fiquem preocupados comigo porque não vou morrer. Fumo para recreação e tem um lance espiritual forte. Ela aumenta a percepção de tudo dependendo do seu estado emocional. Me conecto com essa esfera que é uma coisa fantástica

Seu filho, Arthur, sabe que você fuma?
Temos uma conversa aberta, porque temos que ser amigos dos filhos, então fica muito mais fácil trocar um ideia. Ele fica relaxado, a gente fica bem e não tem nada demais.

E se ele quiser experimentar?
Vou ter que falar para ele quais os prós e os contras. Não adianta a gente achar que é 100% maravilhoso. Fumar acarreta várias consequências. O negócio é o equilíbrio. O caminho é o meio do caminho, não se apegar a coisas materiais. Sabe o que ele me pediu no aniversário de 15 anos? Viajar comigo para uma praia e ouvir Bob Marley.

As pessoas associaram sua imagem e atitude às de Miley Cyrus. O que acha disso?
Coitado desse povo. Um dia estava usando um lenço na cabeça e me chamaram de dona Florinda, mãe do Kiko (do sitcom Chaves). Olha a referência do povo… Mas estamos aí, posso ser a irmã mais velha da Miley. Não sou a primeira, nem a segunda, nem a terceira a fazer isso. Então f***. Morro de rir das pessoas que me criticam. É sinal de que consegui cutucar.

Não se incomoda se te chamarem de louca?
Toda mulher é doida varrida. Esse mundo não seria tão lindo se as mulheres não fossem loucas. Os homens são todos metódicos, focados. A mulher é dinâmica pura. Adoro movimento, não consigo ficar parada. Eu crio em mim o tempo inteiro. Respeito as pessoas que não entendem. Cada um com seu valor. Respeito todo mundo. Se não gostar, obrigada e paciência…

Qual seu parecer quanto a argumentação de que comprar drogas financia o tráfico e consequentemente, a violência etc?
Então vamos legalizar, ponto, acabou, simples assim. Está aí o grande motivo para liberar. Não gosto de outras drogas e nunca experimentei ecstasy ou cocaína. Não gosto da vibe e todo mundo que experimentou teve problemas, descontrolou. Não sou eu que vou rezar essa missa, todo mundo sabe.

Voltando ao assunto, quais os prós e os contras da maconha?
Ela me deixa mais alerta, mais criativa, mais sensível na percepção das coisas e tenho insights de coisas que não percebia. Os contras eu não sei, o povo fala que vicia, mas não sou viciada. Dou uns tempos e volto a fumar. Uso a criatividade para fazer música. Estou trabalhando agora com imagem. Vou fazer um curso de fotografia e vou mexer com direção de arte e imagem. Vejo no Instagram a possibilidade de fazer um portfólio meu. Fiz, junto com o fotógrafo Biga Pessoa, um monte de fotos para contar uma história. A imagem é a coisa mais rápida para se contar uma história. Fiz um teste com a foto da maconha e deu polêmica, então funcionou. Essa velocidade é interessante para a comunicação e quero trabalhar com isso futuramente.

Então podemos dizer que, em breve, veremos uma exposição sua?
Isso. Quero explorar a direção de arte, editoração de moda, edição de imagem. Além de contar uma história, a imagem é um quadro vivo. Brevemente vamos contar nossa história em fotos.

Você conversa mesmo com alienígenas?
Descobri a meditação com alienígenas numa terapeuta que fui. Ela trabalha com eles e junto com Tom Keyton, um americano que canaliza a frequência dos alienígenas inteligentes e de extrema sensibilidade, os Hathors (grupo de seres interdimensionais, intergalácticos que estavam conectados ao Egito antigo através dos templos do Deus Hathor. Os praticantes usam sons para ativar experiências psíquico-espirituais). Através dos sons codificados mudamos os códigos do nosso corpo físico e da aura. A experiência do corpo humano é a extensão da inteligência da mãe Terra, que é um organismo vivo e precisa de nós enquanto corpo físico. Estamos unindo a Terra e o Céu como se nós fôssemos a extensão, os braços da Terra. Isso é mágico para começarmos a entender as coias não como um indivíduo, mas como um todo. As pessoas estão muito desconectadas entre si, distraída com a Internet e eletrônicos. Se você deixar, as máquinas vão dominar mesmo. Todo mundo está egoísta e ligado em migalhas da sobrevivência e esquecem de ver o todo. Isso traz muito sofrimento. Sou mãezona de todos, se estou feliz quero compartilhar até não sobrar uma gota para mim.

Qual seu ideal de vida?
A gente é minoria, que come todo dia enquanto mais da metade do planeta passa fome. Vamos parar de reclamar e fazer pelos outros. Ninguém da minha família deixou, mas eu queria ir para a Faixa de Gaza ajudar no conflito que está acontecendo. Se me der uma louca eu vou.. Acho horrível ficar aqui vivendo uma vidinha só para a gente. Me ligo nessa coisa de guerra e isso não é legal. O que posso fazer agora é emanar amor para que tudo fique bem. Se for pensar na física quântica a gente pode estar lá de alguma maneira. Vamos pensar em amor porque a vida é linda.

FONTE: Revista Época

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