Balde de gelo já arrecadou quase R$ 400 mil para entidades brasileiras

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Doações da brincadeira do Balde de Gelo foram para associações ligadas à esclerose lateral amiotrófica. Famosos e anônimos brincando injetaram um ótimo volume de recursos financeiros.

balde de gelo

As três principais associações brasileiras dedicadas ao apoio de pacientes com esclerose lateral amiotrófica (ELA) arrecadaram, juntas, mais de R$ 400 mil em doações em apenas uma semana, desde que o desafio do balde de gelo começou a ser divulgado por famosos no país. Entenda o que é a esclerose lateral amiotrófica (ELA).

A campanha foi criada nos Estados Unidos pela ALS Association, associação americana que financia pesquisas dedicadas a encontrar uma cura para a doença e também serviços para pacientes. A iniciativa desafia personalidades a jogarem um balde de água gelada na cabeça para chamar a atenção sobre a doença. As pessoas podem aceitar o desafio ou fazer uma doação para uma instituição ligada à ELA, ou ainda fazer as duas coisas.

No Brasil, a instituição que mais recebeu doações foi a Associação Pró-Cura da ELA. Foram R$ 163 mil em apenas quatro dias (de segunda a quinta-feira), de acordo com a advogada Andreza Diaferia Kuhlmann, diretora da entidade. O valor é 16 vezes mais do que a instituição recebeu durante todo o ano passado. “A campanha teve uma repercussão muito positiva tanto na divulgação da doença quanto na arrecadação de recursos”, diz.

A divulgação sobre a doença e sobre a entidade, segundo ela, também levou mais pacientes e familiares a procurar a associação. Se, antes da campanha, a associação tinha 550 pacientes cadastrados, depois da campanha, houve 1,5 mil novos pedidos de cadastro.

Para Silvia Tortorella,  gestora executiva do Instituto Paulo Gontijo (IPG), dedicado ao incentivo de pesquisas científicas sobre ELA, a campanha foi muito bem sucedida em espalhar conhecimento sobre a distrofia. “Temos tentado isso ao longo dos nove anos da instituição e a campanha conseguiu atingir esse objetivo em uma semana”, diz. As doações “quase triplicaram” neste período.

Ela explica que só o fato de tornar a doença conhecida já faz a campanha valer a pena. Segundo ela, o diagnóstico muitas vezes demora a acontecer por desconhecimento dos próprios profissionais de saúde sobre o tema. O instituto ainda não definiu em qual dos projetos o recurso será usado.

Um dos portadores da doença mais conhecido mundialmente é o físico britânico Stephen Hawking, de 72 anos, que descobriu o problema aos 21 – quando os médicos chegaram a dizer que ele teria apenas alguns anos a mais de vida.

Hawking não só superou as previsões sombrias dos médicos como, apesar das limitações físicas impostas pela ELA, se tornou um dos cientistas mais famosos do mundo.

Fonte: G1 Bem Estar

CONFIRA TAMBÉM a análise do viral publicada no Facebook do professor Cláudio Rabelo. (Pós-doutorando em Cultura Contemporânea e coordenador do grupo de estudos em Propaganda Contemporânea e Novas Mídias na UFSM)

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suzana balde

Arrecadou 200 mil em dinheiro para entidades brasileiras e algumas centenas de milhões em mídia espontânea, com o olhar do mundo que se voltou para isso, uma vez que ninguém sabia ou lembrava que a doença existia. Imagine só que o Neymar joga um balde na cabeça e isso é veiculado na Globo, em quase todos os programas, de forma que uma inserção de 30s custaria quase um milhão de reais. Sai em globo.com, algumas centenas de portais, blogs e é replicado por milhares de pessoas. Somente no Instagram, mais algumas milhares de pessoas o acompanham instantaneamente. Ele joga o balde na cabeça atentando pro olhar do mundo e o agendamento midiático ser em torno da doença. Agora imagine que além do Neymar, tem a Ivete, o Zezé de Camargo e uma outra centena de celebridades nacionais (sem falar nas internacionais), além milhares de subcelebridades e uns milhões de anônimos que se sentiram celebridades, por participar da “brincadeira”. Entretenimento, futilidade e ludicidade, por vezes são pretextos para chamar a atenção, inclusive para assuntos mais sérios. Poderia ser feito de outra forma, simplesmente pedindo as doações? Claro, mas aí seria apenas mais uma campanha qualquer, sem potencial de viral loop. Políticos de terno e gravata em quatro anos não fazem um terço do que imbecis com baldes de gelo.

 

 

 

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